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SOBRE O "ÍMPETO" DE SE MONTAR (URGE)
Esse ímpeto de nos montar é comum a todas nós e, até onde eu já observei, não tem nada a ver com idade: - dá na de 22 como na de 44 ou na de 88. A verdade é que crossdressing é uma energia muito forte represada dentro de cada homem por força de sua mulher reprimida e interiorizada (Jung) que passa então a constituir a sua imagem de mulher ideal, e que, não "sublimada", ou seja, deixada à solta, pode levar à prática do que chamamos de "autoginecofilia" - a paixão incontida pela própria imagem da mulher interior, inclusive do ponto de vista de preferência sexual, o que explica a excitação genital, muito comum em CDs, quando estão montadas, ao verem no espelho sua própria imagem de mulher.
Quanto mais "represada" for essa
"mulher interior", mais devastação ela vai causar na vida
da gente, tentando encontrar formas de se expressar, de "respirar", de
"ganhar vida", de "ocupar o seu próprio espaço na vida da
gente". Sua motivação, o tempo todo, é se libertar
e ganhar um "corpo" - o nosso - onde possa manifestar-se plenamente como
mulher.
O Dr. Vernon Coleman, médico
famoso e crossdresser assumido, defende a tese de que, se houvesse mais
homens praticando crossdressing no mundo, as doenças vasculares,
sem falar nas guerras e tolas disputas masculinas de poder, seriam praticamente
inexistentes (clique aqui
para ler os inúmeros artigos dele sobre crossdressing, inclusive
o livro MEN IN DRESSES, disponível para download gratuito, na opção
"miscellany" do seu site).
Em certos períodos, essa
energia CDssing é capaz de atingir intensidades quase insuportáveis,
mobilizando todas as nossas energias e direcionando todos os nossos pensamentos.
Nessas épocas, a gente não consegue pensar ou fazer mais
nada que não seja relacionado ao nosso cdssing. Essa fase aguda
chama-se "urge". Nela, a nossa imaginação é capaz
de superar até mesmo as nossas maiores fantasias, levando-nos a
querer permanecer lindas e esplendorosamente montadas 24 horas, 7 dias
na semana, 365 dias no ano (alguma mulher de verdade consegue ficar?).
A gente fica completamente
irrealista, achando-nos as tais
e, ainda assim, planejando "grandes melhoras" no visual (mais um pouquinho
de peito, de bumbum, menos flacidez, etc, etc ...). Como se já não
tivéssemos problemas de sobra com a prosaica tarefa de disfarçar
os nossos fios de barba (o "101 de cavalaria", ou o "incrível exército
de Brancaleone que, covardemente, nos ataca todas as manhãs...)
Como tudo nesse mundo tem o seu oposto, podem acontecer fases inversas, ou seja, de total distanciamento/desligamento do crossdressing, quase sempre realizadas de maneira culposa, como forma de expiação do "pecado" de querer estar e até mesmo ser uma mulher. Essa fase de "baixa", forçada ou não, chama-se "purge" e nela a CD pode tentar se livrar de tudo que a faça recordar do "crime" de ser CD: - joga suas roupas no lixo, queima (ou deleta) fotos, procura destruir qualquer memória que a lembre da sua "vergonhosa" condição.
É claro que se a pessoa é mesmo uma CD (e não uma "surfista" da web, meramente em busca de variantes sexuais e/ou práticas fetichistas), a necessidade de montar NÃO VAI DESAPARECER. Vai apenas ficar reprimida por algum tempo, reunindo forças na "escuridão do auto-abandono da mulher interior" para novamente colocar suas "manguinhas de fora" na primeira oportunidade que surgir.
A vida de muitas CDs pode ser vista como uma sucessão de "urges" ou "ímpeto de montar" e "purges" ou "ímpeto de ficar o mais longe possível da coisa", ambos de intensidades e períodos de duração variadas. Como pode acontecer de muitas CDs "estacionarem" num patamar de "urge", sem retornar para a vida de sapo. Como muitas passam a vida inteira num patamar de "purge", desejando secretamente se montarem e "se esbaldarem", sem nunca, contudo, deixarem seus armários, por sentimento de vergonha e culpa antecipada pelo "crime" que acham que vão cometer.
Comigo aconteceu de se passarem anos entre o último urge e o próximo purge. No intervalo, eu sabia que estava vivendo como que um vulcão adormecido, pronto para entrar em erupção novamente, no primeiro "descuido" do sapo.
Finalmente, desde o meu último grande "urge", tenho observado que, para eu organizar melhor meus "urges" e "purges" era preciso desenvolver o meu crossdressing, criando certas rotinas, normas e limites para eu me montar.
Infelizmente não existem regras universais para se criarem "rotinas de CDssing": - cada uma vai ter que criar seus próprios limites e regras. Esse é um procedimento que varia muito de pessoa para pessoa e envolve o equacionamento de muitas variáveis, que vão desde disponibilidade de grana e de tempo (praticar crossdressing toma muito tempo e pode nos levar a gastar muito dinheiro...) até o atendimento de complexas responsabilidades e demandas familiares, profissionais e comunitárias.
O site da TS Renee Reyes, particularmente nesta seção foi um dos locais onde eu mais encontrei referências detalhadas que me ajudaram imensamente no estabelecimento das minhas rotinas, limites, combinações com a minha S/O e demais escolhas necessárias para levar uma vida saudável e confortável como CD.
Finalmente, um grande conselho que recebi da minha madrinha Jorgete foi o seguinte: " descubra, antes de mais nada, qual é o propósito do seu crossdressing (em nome de que e para que você se monta; cada uma de nós pode e deve ter suas próprias motivações) e que tipo de mulher (biotipo, vestuário, gestual, etc) você deseja expressar ao mundo. A partir desses dois parâmetros, ficará imensamente mais fácil administrar a vida das mulheres das nossas vidas... Tenho seguido fielmente essa recomendação e nem preciso dizer que a Jorgete, como sempre, estava coberta de razão.